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Revista Nova Escola: Violência é produzida na escola sim PDF Imprimir E-mail
 Revista Nova Escola
Amanda Polato
20/06/2007



A versão da violência nas escolas que mais impressiona é aquela em que há mortes ou em que situações da violência social, como tráfico de drogas, roubos e tiroteios, atravessam os muros das instituições. Não sem razão. É só ler a reportagem da NOVA ESCOLA ON-LINE sobre de a rotina de estudantes e professores em meio a um confronto aberto entre traficantes e policiais no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, para entender que, hoje em dia, ir à escola pode significar correr riscos graves.

Mas o debate não pode ser reduzido a essa questão. A violência não é só o que está do lado de fora. Também pode ser produzida dentro e pela escola. Ao ler o livro “Violência na Escola: Um Guia para Pais e Professores”, descobri que a violência não é casual, mas socialmente construída e, por isso, pode ser previsível. No ambiente escolar, o que pode dar origem a problemas mais sérios é a manutenção de um clima hostil, em que prevalecem incivilidades cotidianas e violências simbólicas. É quando ninguém se respeita, há desordens, grosserias, gritos.

As incivilidades são vias de mão dupla e estão presentes nas relações entre os alunos, entre professores e alunos, entre colegas de trabalho e assim por diante. É preocupante que muitos desses atores considerem esses casos normais ou sequer os reconheçam, como explica Caren Ruotti, uma das autoras do trabalho (resultado de pesquisas realizadas pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e de outros grupos do país e do mundo).

Um estudo feito pela Unesco em 2002, citado no livro, aponta que as causas da violência que se originam no interior da escola incluem a disciplina e o sistema de punições, a indiferença dos professores frente a todos os casos de violência, a má qualidade do ensino, a falta de recursos físicos e humanos e a relação de autoridade entre professores e alunos.

Pensando nesses motivos, é impossível não analisar o papel que a escola tem atualmente, mas que ainda não assumiu. Sua função é, principalmente, prover conteúdos educacionais tradicionais, mas também ir além. Os autores de “Violência na Escola” sustentam que “é nas escolas que milhares de crianças aprendem a se relacionar umas com as outras, adquirem valores e crenças, desenvolvem senso crítico, auto-estima e segurança”. No entanto, percebemos que a dimensão de relacionamento interpessoal e da aquisição de competências sociais nem sempre são pensadas e trabalhadas no cotidiano. E são as principais ferramentas para a convivência! Parece ser mais fácil individualizar os problemas, e optar pela transferência compulsória dos “maus” alunos.

A questão é complexa, envolve muitos fatores e diversos caminhos para a solução (que não será feita sem o envolvimento de todos na escola). Mas de nada adianta lavar as mãos. A pesquisadora denuncia: “A culpa recai muito os estudantes e as famílias ‘desestruturadas’, mas não se olha para a instituição.” Ela tem um papel importante na promoção de um ambiente adequado para o desenvolvimento saudável das crianças e jovens. Os professores podem contribuir diretamente, lidando melhor com crises e mediando conflitos, se preparando sempre para ensinar os conteúdos da melhor maneira possível, além de repensar o relacionamento que têm com os alunos. É a melhor forma de prevenir a violência.

O que contei nesta coluna é uma breve reflexão com base no livro “Violência na Escola”, que apresenta um estudo amplo e preciso do tema. Quem quiser saber mais poderá encontrá-lo em livrarias de todo o Brasil. Exemplares também serão distribuídos em bibliotecas públicas e secretarias de educação.

SERVIÇO

Violência na Escola – Um Guia para Pais e Professores
, de Caren Ruotti, Renato Alves e Viviane de Oliveira Cubas, 246 págs., Ed. Imprensa Oficial, tel. (11) 6099-9798

Lançamento: Dia 21 de junho, às 15 horas, na Livraria XV de Novembro (Rua XV de Novembro, 318, Centro, São Paulo, SP).

Mais informações: Núcleo de Estudos da Violência – USP
Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues - Travessa 4 - Bloco 2, CEP 05508-900, São Paulo, SP – Tel. (11) 3091-4965/ Fax: 3091-4950





 

 
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