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O 1º Seminário Internacional sobre a Tortura, que ocorreu nos dias 25, 26 e 27
de Fevereiro de 2008, teve como objetivo promover uma ampla discussão sobre a
tortura e seus mitos. Dois fatores simultâneos motivaram a realização deste
seminário:
1) o retorno da discussão sobre a "eficácia" da tortura,
ainda que em determinadas condições como, por exemplo, a "guerra contra o
terror", onde diante de um perigo iminente a tortura seria justificada
para extrair informações que poderiam evitar danos maiores (argumento da
"ticking bomb");
2) a sobrevivência da tortura, mesmo vinte anos após
o retorno à democracia, no interior das instituições brasileiras que deveriam
garantir o cumprimento da lei.
Destaca-se ainda aqui que, na atual democracia
brasileira, a tortura não apenas persiste, mas coexiste juntamente com inúmeras
outras violações aos direitos humanos. A possibilidade da democracia se
consolidar diante de tantas violações tem sido o foco do programa de pesquisa
do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e,
neste contexto, a recente discussão sobre a tortura parece ter primordial
importância para as discussões a respeito do futuro da democracia e dos
direitos da pessoa humana. Ainda mais, quando se considera que a condenação,
quase universal do uso da tortura passou, após os atentados de 11 de setembro,
a ser questionada e o que parecia ter sido apagado do discurso público,
resultado de todos os acordos, convenções e tratados assumidos pelas principais
democracias durante os últimos séculos, passou, de algum modo, a suscitar
dúvidas a respeito de sua aplicação universal.
Além
disso, este debate, sem
dúvida nenhuma, também causa impacto no plano local, principalmente no
interior
das instituições que resistiram à erradicação de tais práticas que,
freqüentemente, ainda são aqui aplicadas em "pessoas consideradas
suspeitas". É neste contexto que os pesquisadores do NEV reconheceram o
momento de promover um amplo debate intelectual sobre os mitos que
alimentam e
sustentam a prática da tortura, não somente em contextos brasileiros,
mas
também nas democracias sob a ameaça de ataques terroristas. Para
promover esta
discussão, este foi o primeiro [1] de uma série de dois seminários com os
seguintes propósitos:
1 – promover um debate esclarecido sobre a tortura e o impacto que a diminuição
das restrições contra a mesma possam ter sobre a democracia;
2 – promover trocas entre instituições acadêmicas / pesquisadores nacionais e
internacionais;
3 – encorajar as redes de contato das instituições acadêmicas Brasileiras a fim
de informar mais prontamente o debate público sobre estes assuntos.
[1] O Segundo seminário "A Prevenção da Tortura e Outras Formas de
Violência: Agindo sobre as Causas Econômicas, Sociais e Culturais", será
realizado juntamente com a "World Organisation Against Torture",
previsto para o segundo semestre de 2008.
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